quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sete e um quarto

Não sei por onde começar.
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Quando eu estava no segundo ano do ensino médio, a professora de redação sugeriu que escrevessemos um texto com o que viesse em mente, e caso nada surgisse, que escrevessemos ''branco'' no papel. Eu escrevi algo embaralhado, sobre estorvo, jornalismo, dor nos calcanhares e band-aids e algumas vezes a palavra ''branco''. Foi a primeira produção de texto do ano, e todas essas palavras vieram de memórias recentes das férias de janeiro. Engraçado como a mente flui. Embora não lembre qual tenha sido a primeira produção de texto desse ano, venho escrevendo involuntariamente milhares de linhas na minha cabeça que acabo nunca colocando no papel. Parece bobagem... E por fim não é bobagem coisa alguma. A questão é que, mesmo depois de tanto tempo, ainda lembro de quando escrevi sobre o estorvo e etc. Ainda penso nas coisas que escrevi naquele dia, embora tanto tempo depois, parece que com mais intensidade. Não sei se foi pelo motivo de ter ficado mais velha. Não sei se cresci, se estou diferente fisicamente, se tenho mais maturidade do que naquele dia. Não sei mais de nada... Mas ainda tenho as cicatrizes nos meus calcanhares, e isso eu sei que sempre vou ter. E eu sempre serei piegas, não importa. Agora não sei por onde terminar... Que seja.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ampulheta

Hoje prometi pra mim que seria diferente. Que agiria de outra forma, tomaria decisões importantes. Não aconteceu. Tenho essa mania tola de achar que as coisas mudam de uma hora pra outra, que uma situação vai ser diferente sem eu fazer nada. E nada nunca muda repentinamente. Abri os olhos e tive a mesma vista da manhã, apesar da neblina, foi a mesma de todos os dias. Dei continuidade aos mesmos hábitos que, em conjunto, são parte da mesma rotina de anos. Vi as mesmas pessoas, observei a calçada do mesmo trajeto de sempre. Até exagero ao dizer que nada mudou desde que acordei. Se mudou? Mudou a cor do céu, mudaram as horas... Alguns pensamentos não ousaram em mudar, mas ao menos se revezaram entre si. Mas, realmente  mudou? Não. E nem vai mudar tão cedo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

17

Ultimamente venho arrancando palavras da cabeça. Da boca. Em vão, pois nada sai. Aprendo palavras e quero pô-las em prática. Não é fácil. Quero situações, fatos que me forcem a usá-las, sem nenhum porque. Apenas quero. Escrever não é fácil. Preciso de mais do que a utopia e palavras bonitas que ninguém sabe sem pensar. Preciso de mais do que apenas inspiração. Preciso de vivência, de aprendizado, de conhecimento, de saber o que é passar sobre o que escrevo. Cansei das minhas poesias. Lamentos cheios de acontecimentos inúteis que farão diferença alguma no futuro. Estou em busca da construção do meu personagem, na perfeição do mesmo, do profundo conhecimento dele nessa novela tosca que é a vida. Estou hoje leviana. De coração, de cabeça, de corpo. Quem me dera encarar meus anseios com a mesma intensidade e vontade que tenho de atingí-los. A face do meu seio parece cortada e não aparenta cicatrização rápida. Corte fundo. Perdi essência... Sei lá quem sou! Minha mente não responde meu corpo e vice-versa. Acho equivocado esse lirismo tão jovem, mas a vida exigiu que meu eu desconhecido o fizesse.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sou

Se sou o que hoje sou
Foi porque muito tempo me custou
Para pensar tudo que pensei e ainda penso
Para criar a linha de pensamento intenso
Tornei-me o que já sabia que era e sei que serei
E não houve um dia em minha terra que não fui rei
Rainha, que seja!
Sei o que sou mesmo que ninguém veja.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Imã

Não éramos nada, não somos nada e talvez nunca seremos. Foi um golpe do acaso conhecer-te. Mas não estávamos realmente destinados a isso, foi como um campo imantado, onde não estamos prontos para a atração, a repulsa parece mais forte pois temos cargas elétricas opostas. A convivência proporciona descobertas e coisas em comum que eventualmente mudam as cargas de lado para que possam se atrair. Não sei se você me atrai. Mas mudou meu ponto de vista em relação ao que eu pensava que você era depois 'daquilo' e antes 'disso' tudo. O que você parece querer transmitir é que está sendo atraído para campos do passado, os quais, creio eu nunca ter de fato rompido os laços. Aconteceu por que teria de acontecer. Foi um fim inacabado. Porém, tudo isso é questão de ponto de vista, e ao meu ver, essa história está muito destorcida. Não importa, a questão não é mais o teu passado, e sim o que pode vir a ser agora que penso poder te conhecer tão bem no futuro. Na incerteza incerta e desconhecida do futuro.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Prosa

Gostei de você de primeira
Mas, de segunda, gostei mesmo
Foi do teu amigo.
Agora não sei se gosto da situação
Eu e vocês
Nós
 E o nosso casal de amigos:
Bela suruba;

 Só que não.

 O jeito é ficar sem nenhum.

domingo, 1 de abril de 2012

Procuro nos olhos uma verdade irreal, uma certeza incerta, um vestígio dos tempo bons. Mas não há mais tempo bom algum. Não há mais uma memória sequer. O último cigarro que fumamos perdeu o gosto meses atrás e um gosto amargo de abandono substituiu-o. Você arrancou tudo da minha cabeça, jogou no lixo como se houvesse significado algum. Eu lhe digo: ame, ame muito. Mas eu te peço pra não me abandonar... O que vai ser dessa vida sem você? Ame, ame quem quer que seja. Ame aos outros da mesma forma que eu lhe amo. Mas, me ame de volta. Não me abandone mais. Volta, fica. Nunca mais se vá. E vê se pára de partir... Estou cheia de despedidas.