sexta-feira, 22 de julho de 2011

16 forever

O tempo passou, e eu cheguei até aqui. E quero parar. Porque o mundo me assusta, e por mais que eu queira crescer, não quero. Gosto tanto da minha vida agora, aos 16 anos... que poderia ficar perdida nesse tempo-espaço para sempre. Quer rotina melhor do que escola-dormir-acordar-escola? Tudo bem que escola não é a melhor fase da vida, mas depois a gente ouve dos mais velhos que iremos sentir falta. Também tem a faculdade, que é uma coisa mais passageira que a escola, mas também muito mais intensa. Eu tenho planos para o futuro, mas até lá, ainda tenho 16 anos. E esse ano faço 17, e no outro 18... E quando me vejo pensando no que vai ser de mim, já estou formada, trabalhando na área que eu realmente gosto e com filhos pra criar. Embora eu precise dessa independência e responsabilidade, não quero pensar em pagar contas, em não ter os conselhos da minha mãe. Aliás, me assusta saber que um dia não vou ter minha mãe e meu pai ali pra tudo. Não tenho vergonha de admitir, de verdade. Não sou nenhuma dessas garotas que tem 16 anos e acha que tem 21. Tudo tem seu tempo, e eu estou vivendo o meu melhor tempo desde então. Ainda ganho minha mesada e gasto com as coisas que eu quero sem ter que dar satisfações pros meus pais, meu pai paga meus sapatos e minhas roupas, eu não preciso trabalhar pra isso... Só preciso não ser uma vagal. Ainda tenho minha mãe pra cuidar dos meus problemas de gastrite quando estou realmente mal, e ficar ao meu lado até adormecer. Tenho meu pai, que tem sido meu mais fiel companheiro de almoços aos domingos desde que meu irmão começou a namorar, e a minha mãe começou a ter eventos todos os finais de semana. Tenho meu quarto, minha bagunça que eu nem preciso arrumar, porque sempre tem alguém que não aguenta vê-lo bagunçado. Tenho tudo que eu preciso ter, e ainda quero mais. Quero poder usufruir disso para sempre. Por isso não quero crescer. Me assusta saber que vou perder tudo isso e vou ter que me virar sozinha. Porque o mundo é cruel. E vai ficar cada vez pior. Não quero que meus filhos vivam num mundo cruel. Quero que eles tenham as mesmas oportunidades que eu, ou até melhores. Mas... porque já estou falando em filhos? Não vivo naquele programa ''16 and pregnant''. Eu vivo minha vida da melhor maneira possível... estou assustada com o que o mundo pode me tornar, ou tornar-se, mas estou vivendo. Até meus 17, meus 18 ou até o nascimento dos meus filhos, ou além.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ócio

As férias não poderiam ter vindo em tempos melhores. Gosto de quando as coisas começam a funcionar a meu favor quando necessário. Tanta coisa se passando desde... então. Várias paixões levianas que sem dúvida serão devidamente esquecidas agora, exatamente por serem levianas. Várias coisas a fazer e muito tempo pra fazê-las. Apesar de minha única vontade ser ficar na cama. No ócio. Convidativo... uma pena que terei de recusar. Quem sabe outra hora, para um chá e uns biscoitos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Cheia do vazio

Sensação de vazio mais estranha que essa, não há. É uma sensação de vazio, porém cheia, cheia de lamentos, de falsas esperanças e de ausências. Tantas coisas num vazio só, que qualquer hora explode. Nessa hora, não sei se quero sentir isso, embora sei que preciso. Não sei se quero me pertencer, que minha alma me pertença. Quero me libertar e estar em algum lugar que seja preenchido por amor, tranquilidade e uma bolha. Que me proteja. Da escuridão. Dos sentimentos. Dos calafrios. Do olhar gélido. Do coração palpitando. Discutindo com a cabeça. Que tem razão, mesmo que não queira. Desviando meu olhar. Do seu. Que me compromete. Te entrega. Te faz tão meu. Que prende sua mão em minha. E não larga. Permanece. Aquece. Provavelmente me vejo pensando nesse momento no futuro. Que permanece. Não quero que nada disso não me reste.

domingo, 12 de junho de 2011

Pessoal

Tudo mudou. Inclusive as pessoas, acho que foi a maior mudança que ocorreu dentre esse curto espaço de tempo. E muitas se foram, e muitas outras chegaram. Tantos outros indiferentes, imperceptíveis, que quase por falta de tempo, inexistentes. E agora está tudo mudado. Inclusive os hábitos. A rotina sempre tão tosca. Sempre a achei tão desnecessária. Conforme as mudanças vem vindo, a rotina acostumou-se com meu desprezo, mas por fim, abandonou-me. Ainda bem. E a partir de hoje, continuo em busca do novo. Do novo conhecido. Que por início é apenas um conhecido, e depois um alguém um pouco mais próximo. E cada vez mais próximo. E se torna um amor, que talvez não correspondido, mas esse é o drama todo do amor. E meus anseios de trazê-lo para mais perto crescem... Quero tocá-lo. Sentir seu aroma natural, e quero que siga seus extintos. Sentir o salgado do seu corpo a cada vez que te tocar com a língua, e que me arrepie, que me faça sua. Que me envolva no ato em que estivermos entrelaçados, seguindo os passos fiéis do movimento que não tem como ser outro. Vai e vem. Meu amor. Quero dizer ao pé do seu ouvido o quanto aprecio esse momento. E quero que se torne como uma fita cassete das antigas: rebobine, acelere, um pouco mais devagar... Permaneceremos juntos e exalando ao nosso cheiro característico, quem sabe fumar um cigarro que torne o ambiente com cheiros que se misturem, mas continuem sendo nossos. Esta sou eu, ainda procurando te encontrar, perto do posto, do mercado e de casas antigas com portões baixos. Com os ventos que desajeitam meu cabelo que nem ao menos foram uma vez ajeitados. Ouço a sinfonia pouco sincronizada da avenida e das buzinas e das pessoas e de todo o resto. Continuo andando em busca de um olhar que me corresponda: não só ao meu amor, mas também aos meus anseios, e tudo o que tenho procurado e nunca encontrei. E dizem que tudo tem seu tempo certo, que tudo tem que acontecer naturalmente. Com um empurrãozinho deixa de ser naturalmente? Perde toda a graça? Espero que não.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Rotineiro

Calor. Meus calcanhares doem. Preciso de um abraço. Carinho. Saudades. Nirvana, não a banda, e sim o que a palavra representa. Meu estojo, meu celular e alguns sentimentos. Ócio. Branco. Quero conversar com alguém, alguém diferente. Meu sono e minha cama, lado a lado. Queria minhas férias para sempre. Jornalismo. Quero muito. Andei lendo Chico Buarque. Ainda tenho alguns. Descascou, embora fosse recente. Branco. Quebraram e eu fiquei magoada. Comprei band-aids. Rabiscos. Estorvo. Cazuza no pulso. Tatuagem de mentirinha e um laço. Rosa, azul turquesa e etc. Paulo Leminski, eu adoro. Meu cofre é um sapo. Espelho manchado. Bilhetes na carteira, algumas notas ficais com sentimentos. Pés cansados. Branco. Encerramento sem desfecho, sem final. Acabou.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tabacaria

(...)
''Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.(...)''

Fernando pessoa

sexta-feira, 4 de março de 2011

Guardo a chuva no bolso

Observo o cinza do céu repleto de nuvens carregadas, é a chuva que está pra chegar. Apresso-me para não me molhar, mas não tenho medo. A chuva é tão linda...Seus pingos tão miúdos e finos adiantam-se em pintar o chão das ruas, ou até mesmo o verde das gramas com sua água fresca, incolor. Busco pelo guarda-chuva em minha bolsa, mas a bagunça que há dentro dela impede que essa seja uma tarefa fácil. Procuro por um abrigo, ótimo seria se encontrasse uma cafeteria, onde além de refrescar as ideias, posso aquecer as mãos. Ah, nada melhor! Ando pelas ruas ainda procurando o guarda-chuva, mas acabo-me por encontrar minha vontade: café. Entrei na livraria com cheiro de ideias novas, velhas, geniais e café exalando o local. Agora posso sentar-me e procurar tranquilamente pelo guarda-chuva enquanto espero meu café e observo as prateleiras repletas de cores, amores, histórias e mais. Inútil, parou de chover.